Descubra o território de Alcanena
O concelho de Alcanena, no distrito de Santarém, situa-se na zona de transição entre o Maciço Calcário Estremenho e a Bacia Terciária do Tejo e, grande parte do seu território, está integrado no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC).
Na principal entrada do PNSAC situa-se a Praia Fluvial dos Olhos de Água, nas imediações do Complexo das Nascentes do Rio Alviela. Considerada a mais importante nascente cársica do país, é um local de extrema beleza natural, valorizado pela mão humana, que proporciona bem-estar e a oportunidade de viver intensamente o ambiente e estabelecer uma profunda conexão com a natureza.
A norte das Nascentes localiza-se o Polje de Mira Minde e nascentes associadas, Sítio Ramsar n.º 1616, classificado em maio de 2006, uma zona húmida de importância internacional. Nos meses de pluviosidade, o Polje inunda, criando um grande lago temporário, apelidado de "Mar de Minde". Quando as águas descem, escoando para as nascentes do Alviela, do Almonda e para o Olho da Mar'i Paula, a terra torna-se extremamente fértil para a agricultura.
Pelo enquadramento paisagístico destacam-se três miradouros. Dois deles, posicionados na Costa de Minde, no entanto em flancos opostos – um orientado para o Polje e para o Planalto de São Mamede; do outro orientado para o Planalto de Santo António vislumbra-se também a Serra de Montejunto. O terceiro, no alto de uma escarpa, já na terminação sul da falha de Minde, é o Miradouro do Cabeço de Santa Marta que oferece as vistas para a Bacia do Tejo.
Com uma localização privilegiada, a diversidade paisagística da morfologia cársica, a rede de cursos de água subterrâneos, a fauna e a flora, invulgares e características de microclimas, o concelho de Alcanena apresenta-se como um local propício para desfrutar da natureza, para o lazer e bem-estar, para a prática dos desportos de aventura ou, simplesmente, para o descanso.
Serra de Santo António
Em 2026, o Alcanena Walking Festival acontece na Serra de Santo António, aldeia localizada no Planalto de Santo António, no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, em pleno Maciço Calcário Estremenho.
Aldeia de percursos labirínticos, definidos por muros de pedras seca, que se estendem numa sucessão de pequenas terras de cultivo e de olival tradicional, que tomou o lugar da floresta primitiva, a partir do qual se extrai a azeitona, que origina azeites de uma qualidade ímpar. A terra desta terra foi tornada fértil para a agricultura pelos primeiros povoadores, que lhe retiravam a pedra excedente, a acumularam em marouços, para depois delimitarem os serrados com os muros pedra solta e construírem as casinas para abrigo aquando das intempéries.
Num território marcado por uma paisagem rica em afloramentos rochosos, campos de lapiás, lapas e algares, onde a secura é acentuada pela ausência de cursos de água à superfície, ela corre escondida e abundante, através de uma intrincada rede subterrânea. Da sua necessidade se construíram as pias e os barreiros que se distribuem pelo espaço.
Além da oliveira que percorre a paisagem, o coberto vegetal é marcado pela presença de pequenas manchas de carvalho-cerquinho e azinheiras. Mas o aromas são acentuados pelas plantas aromáticas, medicinais e melíferas, que se repartem por algumas dezenas de espécies.
Em pleno século XIX, a aldeia gozou de grande celebridade, devido à fundação de um colégio por dois frades da ordem dos Franciscanos, Frei Manuel da Conceição e Frei José da Conceição.
Atualmente, o projeto Ouro Líquido e Associação para a Promoção do Olival e Azeite de Aire e Candeeiros procuram valorizar o olival tradicional e azeite produzido, capacitando olivicultores, modernizando lagares, desenvolvendo o olivoturismo, apoiando a qualidade e a comercialização do azeite.
Na Aldeia decorrem, entretanto, dois processos. Um deles certificará a Serra de Santo António como Aldeia de Bem-Estar, reconhecendo-a como um território-piloto, com potencial para se afirmar como referência nacional em desenvolvimento rural sustentável, assente em: bem-estar comunitário, valorização do património natural e cultural, inovação social e capacitação da comunidade local. A aldeia dá assim um passo decisivo rumo ao futuro: um futuro mais sustentável, mais coeso, mais solidário e profundamente enraizado nos valores, no património e na identidade da sua comunidade.
No outro processo prepara-se o registo da Cultura do Olival da Serra de Santo António ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, a par do projeto de Classificação da Paisagem Cultural do Planalto de Santo António, que pretende a valorização e o reconhecimento daquela paisagem acentuadamente humanizada.
Uma paisagem cársica de cortar a respiração e uma comunidade acolhedora, que recebe de braços abertos, esperam por si na próxima edição.